Renato Galozzi revela bastidores do Funk Como Le Gusta
De um choque elétrico no palco a uma demo jogada pela janela do Jota Quest, Renato Galozzi relembra histórias surpreendentes da carreira e conta como foi sua estreia no Funk Como Le Gusta, no mesmo dia em que abriu para o Coldplay. Tudo isso em uma conversa com Bosco Jones no Contracapa, da FQDTV Música.
O Choque que Acendeu a Chama da Música
A carreira de Renato Galose é marcada por momentos que, no mínimo, tiram o fôlego. Em uma conversa franca com Bosco Jones no programa Contra Capa, o músico relembrou um episódio que poderia ter sido trágico, mas acabou se tornando um marco em sua jornada: um choque elétrico no meio do palco.
“Eu quase morri”, declarou Galose, detalhando o susto que passou em uma casa de shows em São Paulo. A situação, que envolveu uma guitarra Gibson recém-adquirida e uma queda dramática, levou a plateia e até mesmo o apresentador a pensar que se tratava de uma brincadeira. “Olhando para a cena depois, foi realmente assustador, porque você foi arremessado, né, cara?”, comentou Jones, ainda impressionado com a história.
Essa experiência, por mais perigosa que tenha sido, serviu de catalisador. A paixão pela música, que já ardia em Galose, ganhou ainda mais força, impulsionando-o a seguir em frente, mesmo diante das adversidades. Aquele momento de perigo se transformou em uma lembrança vívida da intensidade do palco e do amor pela arte.
Eu quase morri. Foi loucura, né? — Renato Galose
Das Praias de São Paulo ao Sonho do Palco
A raiz da paixão de Renato Galose pela música fincou-se cedo, ainda na adolescência, entre as praias de Camburi e Maresias, no litoral norte de São Paulo. Aos 13 e 14 anos, rodeado por amigos e pela discografia de clássicos do rock, como Iron Maiden, Deep Purple e Led Zeppelin, o desejo de fazer música começou a se manifestar.
“A gente tinha o costume de ir na casa de um e ficar ouvindo CD, né? Eu sou da época do CD player”, contou o músico, relembrando a dinâmica de compartilhar descobertas musicais. Embora sua mãe tocasse piano, não havia uma tradição artística explícita na família, e sim algo “latente, correndo nas veias”.
O impulso definitivo veio quando o grupo de amigos decidiu montar uma banda. Sem saber tocar nenhum instrumento, a escolha foi quase instintiva: enquanto um irmão optou pelo baixo e outro pelo canto, Renato decidiu ser o guitarrista. “Porque já me dava um arrepio ouvir algumas coisas e pensar: ‘Nossa, que sensacional, né? Como será que é feito?'”.
O apoio dos pais foi fundamental. Seu pai presenteou-o com uma Jackson, que ele descreve como “uma guitarra de verdade, uma guitarra de rock”. A partir daí, a vida de Renato se transformou. A dedicação aos estudos musicais e a participação em festivais escolares, como o famoso FICO (Festival Interno do Colégio Objetivo), solidificaram seu amor pelo palco e pela performance.
“Fui mordido pelo bicho do palco, do backstage, da plateia”, confessou Galose, ao descrever a emoção de tocar para multidões de até 12 mil pessoas. Ver de perto a estrutura e o trabalho de grandes artistas brasileiros, como Os Paralamas do Sucesso, Lulu Santos e Raimundos, cimentou seu sonho: “Isso aqui é o que eu quero, é isso aí”.
O Festival que Impactou Gerações
O FICO (Festival Interno do Colégio Objetivo) era um evento de grande porte que reunia milhares de estudantes e proporcionava a oportunidade de apresentações para bandas e artistas em formação. Renato Galose participou de diversas edições, chegando a ser premiado como melhor guitarrista.
Da Guitarra ao Estúdio: A Evolução de um Produtor
A habilidade de Renato Galose na guitarra é inquestionável, sendo ele descrito por Bosco Jones como “o guitarrista da minha banda dos sonhos”. No entanto, sua trajetória musical transcende a performance individual, estendendo-se à produção e à construção sonora de outros artistas.
“Desde as minhas primeiras bandas, eu sempre fui aquele cara muito detalhista, preocupado, obviamente, com o que eu estava executando, mas também com o que os outros estavam executando ao meu lado”, explicou Galose. Essa atenção minuciosa aos arranjos, aos timbres e à coesão musical levou-o a desenvolver um olhar apurado para a produção.
O caminho para se tornar um produtor musical não foi um salto repentino, mas sim um processo natural, fruto de anos de dedicação e trabalho contínuo. “É uma consequência de tanto empenho e dedicação”, afirmou. A resiliência e a vontade de “ser um lutador, um verdadeiro lutador” foram essenciais para consolidar sua carreira como músico profissional e produtor musical.
Um capítulo marcante em sua carreira foi a entrada na banda Funk Como Le Gusta. Galose já era fã do grupo e conhecia Emerson Vilani, ex-guitarrista da banda, de outros projetos. A oportunidade surgiu de forma orgânica, por meio de encontros e demonstrações de talento que conquistaram seus colegas de profissão. “Eu fui muito bem recebido, né? Acho que fui simpático também, divertido, e acabou que fiquei por ali”, relembrou.
Eu não digo que é uma habilidade, ou qualquer coisa, um dom, nada disso, longe disso, pelo amor de Deus, mas eu sou o cara que gosta de ouvir tudo bem redondinho e entender que isso faz parte de um mecanismo, e que esse mecanismo toca no que é um arranjo, né?— Renato Galose
O programa Contra Capa, com Bosco Jones e Renato Galozzi, está disponível na íntegra na FQDTV Música.
Assista na íntegra
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