Landau: Do Punk ao Cowboy, a Jornada de Flávio Oliveira
Em papo descontraído no Contra-Capa, o artista relembra a infância em berço musical, a reviravolta do basquete para a música e a força de compor suas próprias verdades.
O Berço Mineiro e a Virada do Jogo
A música pulsa nas veias de Flávio Oliveira, mais conhecido como Landau, desde o berço. Crescendo em uma família com uma tradição musical riquíssima em Minas Gerais, a música era uma presença constante, com avós e tios envolvidos no cenário musical. “A régua era muito alta”, relembra Landau, que, curiosamente, não se via como cantor no início. Seu sonho era ser baterista, um instrumento que estudou com afinco, mas o destino, como ele mesmo diz, tinha outros planos. A música, aos poucos, foi o escolhendo. “Eu não imaginava que eu ia ser profissional da música”, confessa, revelando que o esporte, o basquete, era sua prioridade. “Eu era viciado”, conta, com um brilho nos olhos, lembrando dos tempos em que jogava no Minas Tênis Clube. O apelido “Probal” (uma referência a um tênis da época) e “Meio kg” (por ser magrinho) renderam boas risadas, mas a carreira de atleta foi abruptamente interrompida por um acidente. “Eu quebrei a clavícula numa peneira pro Minas Tênis”, explica, detalhando o período traumático de recuperação que o afastou das quadras e o aproximou ainda mais dos instrumentos que já o cercavam em casa. A transição para a música, embora não planejada, foi um caminho natural, impulsionado pela paixão e pela necessidade de encontrar um novo rumo após a frustração no esporte. A força da música mineira, com sua mistura de estilos e a influência de artistas como Zé Geraldo, moldou a identidade artística de Landal, abrindo as portas para um universo de composições que refletem sua alma estradeira e sua visão de mundo.
De Probal a Landalu
O apelido “Probal” surgiu na adolescência de Landalu devido a um tênis que usava, enquanto “Meio kg” era uma brincadeira sobre sua magreza. O nome artístico “Landalu” tem uma origem inusitada, ligada a um carro e a um relacionamento em Belo Horizonte.
A Estrada que Ensina e a Força do ‘Não’
A vida na estrada se tornou o grande laboratório de Landau. A curiosidade insaciável por conhecer pessoas e suas experiências o impulsionou a viajar, a compor e a se apaixonar ainda mais pela música. “A estrada me deu tudo”, afirma com convicção, destacando como cada viagem e cada encontro contribuíram para sua evolução artística e pessoal. A música, para ele, é uma via de mão dupla: “Eu tenho certeza de que a música também gosta de mim”. Essa reciprocidade é o que o move, ao aceitar a música como sua missão. A discussão sobre a gravação de discos revela a evolução da indústria musical. “Gravar um disco não era o que é hoje”, relembra Landau, contrastando a imersão e o alto custo da produção de antigamente com a facilidade atual de lançar músicas individualmente. Ele se orgulha de ter gravado seu primeiro álbum aos 18 anos, uma façanha em uma época de recursos limitados. “Eu acho que você foi muito guerreiro”, elogia Bosco Jones, reconhecendo a trajetória inspiradora de Landau. O lançamento do álbum “Casca Grossa”, em 2014, marcou um momento importante, consolidando sua identidade como artista. A música “Não sou irmão de ninguém” é um marco em sua discografia, nascida de uma necessidade de autoafirmação. “Eu fui enchendo o saco disso assim, falei: ‘Pô, cara, não sou irmão de ninguém, cara!'”. Explica a frustração de ser sempre associado aos seus irmãos famosos, Rogério Flausino e Wilson Sideral. A canção se tornou um hino de independência e autenticidade, mostrando a força de dizer “não” e de trilhar o próprio caminho. A música, com sua letra provocadora e bem-humorada, reflete a cultura punk de autopromoção, mas com a assinatura inconfundível de Landau.
A estrada me deu tudo. Me trouxe a composição, me trouxe o amor pela música. E eu tenho certeza que a música gosta de mim também!— Landalu
Discografia Selecionada de Landalu
| Álbum | Ano | Número de Faixas |
|---|---|---|
| Chegue Perto de Mim | N/A | N/A |
| Casca Grossa | 2014 | N/A |
| Refúgio | N/A | 22 |
| Sem Fronteiras | N/A | 26 (3 volumes) |
O Jogo da Vida: Palco Pequeno ou Festival?
No quadro “Na Contramão”, Landau revela suas preferências em um divertido pingue-pongue de perguntas. Para ele, um “palco pequeno” tem um charme especial. “Você está perto de todo mundo e quando você errar, as pessoas vão ver de perto que você está errando”, confessa, com bom humor, indicando um certo apreço pela “confusão” e pela proximidade com o público. Quando a escolha é entre violão e guitarra, o violão leva a melhor. “Acho que o violão dá o primeiro passo, né? É seu companheiro, né, cara?”, reflete, mostrando a intimidade com o instrumento que o acompanha desde o início. A dicotomia entre “música perfeita” e “música verdadeira” pende para a segunda opção. “A perfeição não existe”, sentencia, valorizando a autenticidade e a emoção acima de qualquer técnica impecável. A liberdade, para Landau, é o bem mais precioso, inclusive “até para fracassar”. Essa escolha reflete uma visão de vida que prioriza a autonomia e a coragem de arriscar. A pergunta sobre a influência de ser irmão de artistas renomados, como Rogério Flausino e Wilson Sideral, é respondida com maturidade. “Acho que, assim, me ajudou a ser o que eu sou, né? E ‘Não sou irmão de ninguém’, por exemplo, era uma dose de autoafirmação que, se não fosse, talvez não tivesse essa graça, né?”, pondera. Ele se mostra “muito bem resolvido” com essa questão, usando a familiaridade para criar laços e piadas, sem deixar que isso ofusque sua própria identidade artística. A conversa, repleta de risadas e memórias compartilhadas entre amigos, convida o público a mergulhar na rica trajetória de Landau, um artista que transita com maestria entre o punk, o country e a mais pura essência da música brasileira, sempre fiel à sua verdade e à sua paixão.
O programa Contra Capa, com Bosco Jones e Landau, está disponível na íntegra na FQDTV Música.
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