Agogol: A Nova Voz do Samba Chega ao FQDTV
Celsinho Mody e Danilo Japolé abrem as portas do universo do carnaval em um bate-papo animado e repleto de histórias com França.
O Batismo de Fogo no Agogol
O FQDTV Música estreia com o pé direito (e um copo quase caindo!) no palco do Agogol, o novo espaço dedicado a desbravar as riquezas da cultura popular brasileira. Sob o comando de França, o programa promete ser o ponto de encontro para quem respira samba, vibra com o carnaval e se diverte com a paixão nacional: o futebol. Toda terça-feira, a partir das 20h30, o Agogol abre suas portas virtuais para um bate-papo descontraído, onde todos são convidados a se sentirem em casa e a participar ativamente.
Para dar o pontapé inicial com o pé direito e muita sorte, França convidou um parceiro de longa data e figura carimbada no mundo do samba: Celsinho Mody. A escolha não foi por acaso. “Eu insisti que o Celsinho fosse o meu primeiro convidado”, revela o apresentador, “porque o Celsinho é um grande parceiro e a gente conversa há tanto tempo lá nos Acadêmicos do Tatuapé. A gente vai falar muito da escola e do Tatuapé, que é a nossa casa”. A promessa é de um papo recheado de histórias, especialmente para quem, como Celsinho, já coleciona duas coroas de campeão no carnaval de São Paulo.
Para embalar essa estreia, nada melhor do que a genialidade das cordas. Danilo Japolé, com seu cavaquinho e violão a postos, juntou-se à festa. “Já trouxe o cavaquinho, já trouxe o violão. A gente vai usar bastante, hein?”, brinca o apresentador, sinalizando que a música será um elemento fundamental ao longo do Agogol. A energia contagiante e a sintonia entre os convidados já dão o tom do que o público pode esperar: um programa que flui com a naturalidade de uma boa roda de samba.
Agogol: O nome da paixão
O nome ‘Agogol’ foi escolhido para refletir a essência do programa, que busca celebrar e difundir a cultura brasileira, com foco especial no samba e no carnaval. A ideia é criar um espaço acolhedor para conversas autênticas e apaixonadas.
Das Ruas de São Paulo à Avenida: A Trajetória de um Intérprete
A conversa com Celsinho Mody logo mergulha nas profundezas de sua relação com o carnaval, que começou bem antes de ele se tornar a voz potente que conhecemos. Desde os 10 anos, desfilando com a Gaviões da Fiel em 1997, até sua estreia oficial como cantor em 2000 pela Prova de Fogo, a paixão pelas escolas de samba é uma constante.
“Eu acho que é a segunda”, responde Celsinho quando perguntado quantos anos de carnaval, uma resposta que logo é desmentida pela memória afetiva. “Desde 2000, cara. Desde 2000 é que eu comecei a participar efetivamente, né? Cantando. Mas eu desfilei pela Gaviões da Fiel no ano de 97.” A infância, marcada por ensaios de carnaval em família e pela cultura de ouvir sambas-enredo no Natal, já prenunciava o futuro. “Minha mãe, minhas tias do Camisa Verde e Branco, minhas tias do Vai Vai. E eu frequentava ali e tal, mas não desfilava, né? Efetivamente.”
O apresentador, por sua vez, compartilha suas próprias memórias e conexões com o universo do samba, mencionando a escola Prova de Fogo e a importância de figuras como Dona Vera e Ana Paula, ambas presidentes da escola. A admiração pela forma como a escola exalta a cultura negra é evidente, assim como o desejo de Celsinho de ver o carnaval em todas as suas esferas, desde as séries especiais até os blocos de rua e as divisões inferiores, como a UESP.
“Eu sou um defensor total do carnaval de rua, do carnaval de São Paulo”, afirma Celsinho, exaltando a proximidade com o público e a energia contagiante dos blocos. Ele menciona com carinho o bloco Mo’ Cidade, na Zona Leste, e a importância de figuras como Chocolate e Ivanzinho, que também integram a ala musical do Acadêmicos do Tatuapé. A conversa se estende à ala musical da escola, com menções honrosas a Keila Regina, Vanessa Demetria, Esté Oliveira, Ivan Ribeiro, André Ricardo, Douglas Chocolate, Adriano Souza, e a equipe de músicos que o acompanha há anos, incluindo Caio Sena, Cléber, Léo Gomes e Celso. A diretora musical Ana Nascimento e o multifacetado Tielo também são celebrados, evidenciando a força e a união que movem o Acadêmicos do Tatuapé.
A gente aprende as coisas vendo, como a cozinha da gente em casa, né? A escola de samba tem muito a ver com a cozinha da casa de uma família negra no Brasil.— Celsinho Mody
Celsinho Mody: Uma Vida no Samba
Da Ganza ao Palco: A Evolução de um Cantor e a Alma do Samba
A descoberta da voz de Celsinho Mody para o canto no samba foi um processo orgânico, enraizado na vivência familiar e na paixão pela música. Desde cedo, ele se via gravando e cantando no gravador do tio Maurício, um músico autodidata. A dinâmica das escolas de samba, em que era preciso “fazer um pouco de tudo”, levou-o a transitar por diversas áreas, incluindo a bateria, onde seu sonho inicial era ser mestre de bateria.
“O meu sonho era ser mestre de bateria”, confessa Celsinho, relembrando os tempos em que tocava a ganzá, um instrumento acessível em uma época de escassez e de alto custo dos instrumentos musicais. “Naquela época, não dava para você chegar na escola e pegar um instrumento daquele jeito. Os instrumentos… o Brasil era um Brasil diferente, né? Além de ser muito caro, o instrumento era escasso.”
A transição para o canto aconteceu de forma natural, impulsionada pela necessidade e pelo incentivo de sua madrinha, Dona Vera. “A bateria ensaiava e não havia ninguém para cantar. Aí eu comecei a cantar uma vez, duas, três. E essa minha madrinha, Dona Vera, como muita gente ali também, me incentivou muito: ‘Não, vai lá cantar, vai lá cantar, vai lá cantar’. E eu fui, caramba, que legal! E eu gostei, né, cara?”
A maturidade vocal e artística de Celsinho se reflete não apenas em sua performance, mas também na evolução da própria interpretação dos sambas. Ele discute as diferenças entre os intérpretes de antigamente e os de hoje, ressaltando a maior valorização da afinação, da dicção e da técnica vocal atualmente. Contudo, Celsinho faz questão de ressaltar que essa mudança se deve, em grande parte, à evolução da estrutura de gravação e sonorização, e não à superioridade técnica dos artistas de hoje sobre os de outrora.
“O que mudou foi a estrutura, né? Totalmente, para que esse talento pudesse realmente aflorar”, pondera Celsinho, citando Jamelão como um dos maiores cantores da história. Ele destaca o investimento em sistemas de som de ponta no Acadêmicos do Tatuapé, que proporcionam um espetáculo ainda mais aprimorado. A conversa se encerra com a reflexão sobre a importância do apoio e do incentivo de pessoas ao longo da trajetória, um elo fundamental para que talentos como o de Celsinho possam florescer e encantar o público.
Evolução da Interpretação de Samba
| Aspecto | Anos 60-80 | Anos Atuais |
|---|---|---|
| Gravação | Take único, menos recursos | Múltiplos takes, recursos de edição |
| Afinação | Dependente da habilidade natural e do momento | Auxílio de afinadores e softwares |
| Dona da Voz | Foco na emoção e na força interpretativa | Equilíbrio entre emoção e técnica apurada |
| Estrutura de Som | Microfone único na avenida, sonorização limitada | Sistemas de som de alta tecnologia, múltiplos microfones |
O Legado dos Grandes Intérpretes
Celsinho Mody reconhece a genialidade de intérpretes como Jamelão, comparando-o ao Pelé do canto. Ele enfatiza que, embora a estrutura de gravação e performance tenha evoluído drasticamente, a paixão e o talento inatos desses artistas são imensuráveis e merecem todo o reconhecimento.
Assista na íntegra
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