Denis Garbo: Do Black Bass à Liderança na Pesca Esportiva

Denis Garbo: Do Black Bass à Liderança na Pesca Esportiva

14/10/2026|7 min|

O craque da pesca relata sua jornada de pioneirismo no Brasil, os desafios como guia e a paixão por ensinar e compartilhar.

A Fagulha da Pesca: De Pescador de Fim de Semana a Guia Profissional

A paixão de Denis Garbo pela pesca esportiva não nasceu de um dia para o outro. Começou com as lembranças de infância, ao lado do pai, com tarrafas e redes de espera. Mas foi em um dia de pescaria na Cachoeira do França, em Juquitiba, que a fisgada foi certeira. Alê, um amigo de infância, o levou para conhecer o local, e lá, com uma isca artificial, Denis fisgou seu primeiro Black Bass. “Olha que legal, cara. Eu não sabia que era um Bass. Não tinha estudado direito”, relembra Garbo, com um sorriso nostálgico. Essa experiência inicial, em um ambiente selvagem onde eram deixados com um pequeno barco por horas, foi o gatilho para um mergulho profundo no mundo das iscas artificiais. A partir daí, o “bichinho da pesca” tomou conta, e não havia mais volta.

O que começou como um hobby, logo se transformou em algo mais. Garbo, que trabalhava em uma área completamente alheia à pesca, sentia uma necessidade crescente de estar na água. A ideia de se tornar um guia de pesca surgiu de forma orgânica, após levar amigos para pescar e receber o elogio: “Você trata todo mundo bem, explica as coisas de forma clara, faz a gente pescar”. Inicialmente receoso, ele aceitou o desafio. “Cara, mas olha só”, pensou. A decisão de se dedicar mais intensamente à pesca, mesmo conciliando com o trabalho, o levou a pescar durante a semana, transformando a Cachoeira do França em seu “segundo lar” e um verdadeiro “laboratório de pesca”.

No entanto, a transição para guia profissional não foi um mar de rosas. “Cara, eu sofri, sofri que nem um cachorro”, confessa Denis. A pressão de fazer os clientes pescarem, quando antes pescava por prazer e sem cobranças, foi um baque. “Quando você é pago para fazer aquilo, a pressão é em cima de mim. Eu sou chato com isso. Eu me cobro para entregar o que prometo, talvez até mais”, explica. A dificuldade inicial com as iscas artificiais, que na época eram novidades no mercado, como os “saltitas” (soft baits salgadas), o fez buscar a especialização. “Eu sofri demais por um ano”, revela. Ele chegou a oferecer pescaria gratuita para quem não pegasse nada, assumindo o prejuízo, mas com um objetivo claro: aprender e aprimorar suas técnicas. A chegada dos primeiros worms artificiais, que tornaram a pesca mais sensível e acessível, foi um divisor de águas para ele e para o mercado.

Cara, eu sofri, sofri que nem um cachorro.— Denis Garbo

A Revolução das Iscas e a Arte de Ensinar

A evolução das iscas artificiais, especialmente os soft baits, mudou a dinâmica da pesca de Black Bass. Denis Garbo explica que, no início, os plugs eram os protagonistas, com técnicas específicas para diferentes épocas do ano, especialmente durante o período de reprodução dos peixes, quando se usavam poppers e stick baits com lentidão e precisão perto de tocos. Fora dessa temporada, os crankbaits e deep divers, com trocas de cores estratégicas, entravam em cena. “É muito técnico, muito, muito, muito”, enfatiza Garbo, comparando a complexidade com a pesca de Tucunarés em águas claras, mas destacando a diferença de não poder avistar o peixe devido à cor da água na região. A pesca em águas mais esverdeadas, segundo ele, tem suas vantagens, pois “para o cara que usa pão, por exemplo, já impede”, garantindo um certo nível de seletividade.

Um dos pontos mais marcantes na trajetória de Garbo é sua filosofia de compartilhar. Ele não se importa em passar suas iscas para outros pescadores, mesmo quando está pegando peixes. “Eu gosto. É um desafio. Eu não gosto de perder para o peixe”, declara. Para ele, o importante é que todos se divirtam e pesquem. Essa generosidade e foco na experiência do outro o diferenciava. “É um ganha-ganha, né?”, questiona o apresentador, ao que Denis responde: “É um ganha-ganha. Mas nem é por esse motivo. Eu gosto. É um desafio.”

Denis também aborda a diferença crucial entre um barqueiro e um guia de pesca. “O barqueiro ele sabe tudo do lugar, ele sabe pescar, ele sabe tudo. É o serviço, às vezes, não é realmente serviço.” Para ele, o diferencial do guia está no trabalho extra, no atendimento ao cliente, na forma como ele lida com os momentos em que o peixe não colabora. “O serviço dentro do barco, muitas vezes, é essencial. E às vezes vai ser o fator que vai decidir o cliente voltar ou não”, argumenta. Ele relembra de sua experiência como gerente de uma marina, onde pôde observar essa dinâmica de perto e percebeu a importância de investir em treinamento para os funcionários, algo que ainda é pouco comum no mercado. “As empresas têm que ver que o cara vai prestar um bom serviço ali, mais clientes vão ser bem atendidos, e automaticamente mais gente vai vir pescar, né?”

Ao falar sobre a rivalidade entre predadores, Denis é categórico: o Tucunaré-açu é o peixe que “dirige o mercado”. Ele descreve o Robalo como “sensacional” e mais agressivo que o Black Bass, que ele considera “chato”. A experiência em Bertioga, onde geriu uma marina por quatro meses, foi um período de aprendizado profissional e de pesca. “Você continua aprendendo, ganhando conhecimento”, afirma. Ele também menciona a importância de capturar e soltar, e como os peixes, especialmente quando defendem seus ninhos, podem voltar a morder a mesma isca. A pesca de Black Bass, para ele, é “muito técnica” e exige sensibilidade, especialmente na busca pelo peixe no fundo com jig ou soft bait, técnicas que “revolucionaram a pesca”.

Trajetória de Denis Garbo

Anos 90
Início da pesca com soft baits salgadas
1 ano
Período de ‘sofrimento’ como guia antes de se especializar
4 meses
Tempo como gerente de marina em Bertioga

Do Pioneirismo na TV à Nova Geração de Pescadores

Denis Garbo também trilhou o caminho da comunicação, com um canal no YouTube chamado “Bora Pescar”. Ele ressalta a importância dessa plataforma para as novas gerações, que buscam agilidade e conteúdo online. “A televisão ainda é um meio de comunicação. Show. Mas cada vez mais a molecada tá migrando, não tem jeito, né?”, comenta. Ele entende que, enquanto os mais velhos ainda se apegam à TV, os jovens preferem a internet, exigindo presença no Instagram e YouTube.

Sua participação em eventos como o Paraná Fishing e a cobertura de campeonatos, ao lado de Thiago Agüea, mostram sua versatilidade. Inicialmente convidado para co-hostear, Garbo enfrentou questionamentos sobre sua presença em um evento de pesca mais competitivo, vindo de um ambiente de “pay-to-fish”. No entanto, sua experiência e conhecimento foram cruciais para desmistificar sua atuação e mostrar a amplitude de seu trabalho. “A galera começou a assistir e aí os comentários: ‘Espera aí, mas o Denis é de pesqueiro, o que ele tá fazendo aí?'”, relata. A organização do evento e a ideia de Thiago de inovar na transmissão ao vivo, que hoje é copiada por muitos, são elogiadas por Denis, que vê isso como um reflexo do crescimento e profissionalização do mercado.

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Outra faceta de sua carreira foi o “Best Master”, um campeonato em São Paulo. Garbo relembra com carinho os tempos de “prints” de fotos e cheques gigantes, um sonho que ele ajudou a concretizar, mas que precisou abandonar. “Eu parei por causa de briga”, confessa. A competição, em sua visão, não deveria gerar conflitos, mas sim amizade e diversão. “Pesca para mim não é briga, não é ofensa, não é nada disso, sabe?”, defende. Ele acredita que, ao trazer essa postura para o ambiente da pesca, é possível atrair mais famílias e novas gerações para o esporte, promovendo um ambiente mais inclusivo e positivo. A dificuldade em conciliar a pesca esportiva com a competitividade de torneios o levou a se afastar, preferindo participar apenas quando “forçam” e sempre com o foco em “se divertir com a galera”.

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