Ronco e Apneia: O que a sua boca e o seu sono têm em comum?
Descubra como um dentista especialista em distúrbios do sono pode ser a chave para noites mais tranquilas e uma vida mais saudável.
O Som Que Interrompe Sonhos: Quando o Ronco Vira Sinal de Alerta
Aquele ronco que incomoda a vizinhança (ou, mais precisamente, o parceiro de cama) pode ser mais do que um mero incômodo social. Para a Dra. Luciana Sardou Lopes, dentista especialista em distúrbios do sono, explica que o ronco é apenas a ponta do iceberg de uma série de questões que afetam a qualidade do nosso descanso e, consequentemente, a nossa saúde.
Com 34 anos de experiência em odontologia e 14 anos dedicados ao sono, Dra. Luciana compartilha uma jornada pessoal que a levou a essa área: de dores crônicas sem diagnóstico aparente à descoberta da polissonografia, um exame que mapeia a qualidade do sono.
“Uma das formas de a gente cuidar do ronco e da apneia é recomendar um aparelho intraoral”, explica a especialista, destacando a abordagem multidisciplinar da medicina do sono. Dentistas, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e médicos unem forças para investigar e tratar essas condições.
No consultório, a queixa mais frequente é, sem dúvida, o ronco. “É a esposa que não aguenta o marido roncando”, brinca a Dra. Luciana, ressaltando que, embora os homens sejam mais prevalentes, as mulheres, especialmente no pós-menopausa, também roncam.
O ronco, por si só, pode ser uma questão social, mas o que realmente preocupa são os possíveis problemas de saúde que ele pode esconder. “Dormir mal e acordar cansado já é um sinal de distúrbio do sono”, alerta a dentista.
A consulta com o especialista envolve a coleta de informações subjetivas, como o relato do paciente sobre cansaço, sonolência e fadiga, bem como a necessidade de dados objetivos. É aí que entra a polissonografia, um exame capaz de quantificar e mensurar a qualidade do sono, revelando detalhes cruciais para um diagnóstico preciso.
O ronco é só a pontinha do iceberg.— Dra. Luciana Sardou Lopes
Desvendando os Mistérios da Noite: O Que a Polissonografia Revela?
A polissonografia, um exame que pode ser realizado em casa ou em laboratório, utiliza diversos eletrodos e sensores para avaliar até sete parâmetros da qualidade do sono. Com os dados coletados, a Dra. Luciana consegue identificar se o paciente é um roncador primário (apenas ronca) ou se apresenta apneia do sono, caracterizada por pausas respiratórias noturnas.
“A apneia obstrutiva do sono ocorre quando o paciente apresenta pausas respiratórias durante o sono. Essas paradas podem ser breves ou mais longas, com ou sem perda de oxigênio”, detalha a especialista. A gravidade da apneia é classificada em leve (5 a 15 paradas por hora), moderada (15 a 30) e grave (mais de 30), e a dessaturação de oxigênio agrava o quadro.
As consequências de uma apneia não tratada são sérias e podem incluir aumento da pressão arterial, problemas cardíacos, como arritmias, maior risco de AVC (Acidente Vascular Cerebral) isquêmico e a instalação da síndrome metabólica, com aumento da glicemia e ganho de peso.
“Um paciente obeso tem maior chance de ter apneia, roncar? Com certeza. O principal fator de risco é a obesidade”, afirma a Dra. Luciana, explicando que o acúmulo de gordura na região cervical, mais comum em homens, pode estreitar a passagem de ar.
Além disso, a falta de sono reparador afeta a cognição, com perda de memória, baixa atenção e tempo de reação reduzido, aumentando o risco de acidentes de trânsito em até sete vezes. Problemas urológicos, como perda de libido e disfunção erétil, também podem estar associados.
Apneia do Sono: Um Perigo Silencioso
O tratamento varia conforme a gravidade. Para roncadores primários, podem ser indicados aparelhos intraorais, terapia fonoaudiológica e, em casos específicos, laser no palato. Já para apneia moderada a grave, o CPAP (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas) é considerado o padrão-ouro, um dispositivo que garante a ventilação adequada durante o sono.
“O tratamento com aparelho intraoral é uma possibilidade excelente para pacientes com apneia leve a moderada ou roncadores primários, mas se existe um tratamento que é considerado mundialmente na medicina padrão-ouro, que vai zerar qualquer evento respiratório, chama-se CPAP”, conclui a Dra. Luciana, reforçando a importância de buscar ajuda profissional para um diagnóstico e tratamento adequados.
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