Da Paixão ao Negócio: André Pino e a Fish for Life

Da Paixão ao Negócio: André Pino e a Fish for Life

04/11/2026|6 min|

Do bambu ao Curado, a jornada de um pescador que transformou um hobby em uma das maiores importadoras de equipamentos de pesca do Brasil.

O Chamado das Águas: De Pescador de Praia a Empreendedor

A paixão pela pesca, muitas vezes, começa de forma singela. Para André Pino, conhecido no universo da pesca como Pinão, tudo começou na infância, com uma vara de bambu e a brisa do mar em Praia Grande. Aos 12 anos, o primeiro presente que marcou sua vida: um molinete de spinning e uma vara de fibra de vidro com ponta fluorescente. Essa faísca inicial se transformou em um fogo que o levaria a explorar novos horizontes, tanto na água quanto nos negócios.

O primeiro grande salto na modalidade aconteceu aos 19 anos, quando um amigo o apresentou à pesca em alto mar. Mas foi a pesca de tucunaré, por volta dos 22 ou 23 anos, que selou seu destino. “Virou um vício. O vício está até na pele ali, olha”, comenta Pinão, evidenciando o impacto transformador dessa experiência. Para ele, o tucunaré é um divisor de águas, um desafio que transcende o hobby e se torna uma verdadeira obsessão.

Na conversa com Bádio, no podcast Bora Pescar, Pinão relembrou os detalhes de seus primeiros equipamentos. Seu primeiro kit para tucunaré foi um conjunto Shimano Curado com uma vara Bantam de 20lb, uma escolha um pouco mais robusta do que ele desejava inicialmente, mas que o acompanhou em sua primeira aventura na Amazônia. “Eu queria algo um pouco mais leve, mas não tinha na loja”, explica, mostrando que até os percalços iniciais fazem parte da rica história de um pescador.

Essa dedicação e conhecimento adquirido ao longo dos anos, somados a uma visão de mercado aguçada, foram os ingredientes que o levaram a fundar a Fish for Life, uma das mais respeitadas importadoras de equipamentos de pesca premium do Brasil. O que começou como uma amizade entre dois fanáticos por pesca se transformou em um negócio de sucesso, provando que a paixão, quando bem direcionada, pode render frutos extraordinários.

A pesca começou na minha vida porque eu morava no litoral e sempre tive muito interesse em pescar, né? Eu pescava com os mais velhos da rua. Comecei com aquela pescaria de praia, com vara de bambu.— André Pino (Pinão)

O Tucunaré, a Amazônia e a Fortuna do Pescador

A conversa entre Pinão e Bádio fluiu naturalmente, abordando desde as primeiras iscas que marcaram suas jornadas até as expedições mais memoráveis. Pinão compartilhou a história de como a isca Lelé da Borboleta foi crucial em uma pescaria desafiadora na região do Alto Tietê, onde ele e seu parceiro capturaram quase 50 peixes enquanto outros pescadores relatavam “nada, nada, nada”. “E a isca que fez a diferença foi a Lelé da Borboleta, uma isca que existe até hoje”, relembra com um sorriso.

Essa isca, e outras da Borboleta como a Perversa, têm um lugar especial no coração de Pinão. Ele conta que a Perversa foi, por muitos anos, a isca “da Amazônia”, um modelo twitch bait que funciona excepcionalmente bem. “Para mim, é uma das mais legais”, afirma sobre a experiência de acompanhar o peixe na subsuperfície.

A Amazônia, aliás, é um capítulo à parte na vida de Pinão. A primeira viagem aconteceu em 2005, aos 25 anos, após ser convencido por um colega de banco com fotos de tucunarés gigantes. Desde então, a região se tornou um destino anual, com exceção do primeiro ano da pandemia. Ele estima ter ido à Amazônia cerca de 40 vezes, incluindo visitas ao espetacular reservatório de Balbina. “É um lugar espetacular”, destaca.

Quando o assunto é dar uma dica de região para quem vai pela primeira vez, Pinão faz uma distinção importante. Para quem já pesca tucunaré, ele sugere Barcelos, conhecida pela abundância de peixes e opções de rios. Já para os iniciantes, o reservatório de Balbina é a recomendação, oferecendo a chance de capturar peixes grandes, especialmente durante a alta temporada. “É uma região que tem muito peixe, muita estrutura, então é um ótimo jogo para quem está começando a pesca de tucunaré”, explica.

A dinâmica da pesca na Amazônia, com seus níveis de água variáveis e a necessidade de adaptação, foi outro ponto de destaque. Pinão descreve situações surrealistas, como pescar em locais onde a água estava tão alta que o que parecia um arbusto era, na verdade, o topo de uma árvore submersa. “A gente estava pescando, eu disse: ‘Vou pegar um peixe ali naquele arbustinho’, e o guia começou a rir. Eu olhei e falei: ‘Você não acredita, irmão?’ Aí ele disse: ‘Não, é que esse arbusto é o topo de uma árvore'”, narra com bom humor, evidenciando a grandiosidade e os desafios únicos da região.

A Amazônia no Coração de Pinão

~40 vezes
Visitas estimadas à Amazônia (incluindo Balbina)
2005
Ano da primeira viagem à Amazônia
25 anos
Idade na primeira expedição amazônica

Parceria, Paixão e o Futuro da Pesca

Um dos aspectos mais tocantes da conversa foi a relação de Pinão com sua esposa. Em um mundo onde muitos pescadores precisam “esconder” seus gastos com equipamentos, a esposa de Pinão é sua maior parceira. Ele relata um episódio em que ela o incentivou a comprar uma vara cara, mesmo após um dia tenso no hospital. “Minha esposa virou na loja e falou: ‘Amor, vai lá, você queria, você rala pra caramba, se faltar grana, eu compro pra você'”, conta, emocionado.

Essa parceria é um diferencial enorme, que permite que a paixão pela pesca seja vivida plenamente, sem segredos ou conflitos. “Ela sabe praticamente tudo que eu gasto com pesca. Ela vê as coisas chegando, eu não preciso esconder nada”, afirma, ressaltando que ter uma companheira que entende e apoia seus sonhos é um presente valioso.

Além da vida pessoal, a Fish for Life tem um papel fundamental em fomentar o mercado de pesca no Brasil. Pinão defende abertamente a qualidade de produtos de outras marcas, mostrando que o objetivo é o crescimento do esporte como um todo. “Eu sou dono da Fish for Life, cara. Mas eu falo de coisa legal de todo mundo, cara, porque senão vira uma posição muito parcial, né?”, pondera.

Essa postura colaborativa se reflete na forma como os pescadores e operadores turísticos da Amazônia compartilham informações. Pinão acredita que essa troca de conhecimento é benéfica para todos, pois “quanto mais gente pescar, mais gente se divertir, mais a gente vai estar fomentando o nosso mercado”. Essa visão de comunidade e crescimento mútuo é o que impulsiona a Fish for Life e o próprio André Pino.

O futuro da pesca, para Pinão, passa por essa paixão genuína, pela busca constante por novas experiências e pela construção de um mercado cada vez mais forte e unido. E para quem quiser se aprofundar nas histórias, dicas e nos bastidores dessa jornada, o convite é para assistir ao episódio completo do Bora Pescar no YouTube da FQDTV.

Marcos na Trajetória de André Pino

  • Infância
    Primeiros contatos com a pesca de praia com vara de bambu.
  • 12 anos
    Ganhou seu primeiro kit de pesca com molinete e vara de spinning.
  • 19 anos
    Primeira experiência em pesca de alto mar.
  • ~22-23 anos
    Início da paixão pela pesca de tucunaré.
  • 2005
    Primeira viagem à Amazônia, marcando o início de uma tradição anual.
  • Após 2005
    Fundação da Fish for Life, importadora de equipamentos de pesca.

Assista na íntegra

Esta matéria é um resumo do programa. Veja o episódio completo no YouTube e inscreva-se no canal FQDTV Esporte para não perder os próximos.

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