Globo na F1: Flavio Gomes Critica o Excesso de Senna
Jornalista aponta 'obsessão' da emissora em explorar a figura do tricampeão, ignorando outras glórias brasileiras na categoria.
A Volta da F1 à Globo: Entre Emoção e Controvérsia
A Fórmula 1 está de volta aos braços da Rede Globo a partir de 2026, e a movimentação nos bastidores e nas redes sociais já é intensa. O jornalista Flavio Gomes, em seu programa ‘Pé no Porão’, não poupou críticas à abordagem que a emissora tem dado às primeiras transmissões, focando em um ponto que, segundo ele, beira o ridículo: a obsessão pela figura de Aírton Senna.
Flavio Gomes relembrou o histórico da Fórmula 1 na TV brasileira, destacando o papel fundamental da Globo em popularizar o esporte nas décadas passadas. No entanto, ele argumenta que, com o retorno da categoria, a emissora parece ter esquecido de explorar a rica tapeçaria de histórias e personagens que compõem o automobilismo. “A Fórmula 1 não é feita de Aírton Senna, TV Globo. Não é”, disparou o jornalista, defendendo que a emissora deveria dar mais espaço para outras glórias e momentos marcantes de pilotos brasileiros na categoria.
A crítica surge em um momento em que a F1 busca expandir seu público, especialmente com a influência de séries como ‘Drive to Survive’ da Netflix. Gomes acredita que essa nova geração de fãs, acostumada a uma abordagem mais ampla e diversificada, pode se sentir alienada pela repetição exaustiva da narrativa senista.
A Fórmula 1 não é feita de Aírton Senna, TV Globo. Não é.— Flavio Gomes
Senna, Piquet, Massa: Um Legado Brasileiro em Pauta
A análise de Flavio Gomes se aprofunda ao citar exemplos concretos de como a cobertura da Globo tem, em sua visão, limitado o escopo das histórias. Durante a transmissão do GP do Japão, ele observou uma quantidade excessiva de tempo dedicada a referências a Aírton Senna, mesmo em situações que, para ele, não guardavam relação direta. Desde a bandeira brasileira na arquibancada até o número do jovem piloto Kim Antonelli, tudo parecia ser um gancho para revisitar a lenda do tricampeão.
“Só falta dizer que o garoto é a reencarnação do Aírton Senna”, ironizou Gomes, criticando a linha editorial que, segundo ele, ignora outros campeões e vitórias brasileiras. Ele mencionou nomes como Nelson Piquet, que foi campeão em Suzuka, a última dobradinha brasileira com Piquet e Moreno, e as vitórias de Rubens Barrichello e Felipe Massa. “A história do Brasil na Fórmula 1 não se limita, não se restringe a Aírton Senna”, reforçou.
O jornalista também abordou a cobertura do GP de Fuji em 2007, onde Felipe Massa protagonizou uma disputa memorável na chuva contra Robert Kubica. Em vez de focar na rivalidade e na habilidade dos pilotos, Gomes suspeita que a pergunta feita a Massa pela Globo tenha sido direcionada para saber se ele se lembrava de Senna, evidenciando, para ele, a dificuldade da emissora em sair do roteiro pré-estabelecido. “A Globo pergunta do Sena. Eu tenho certeza que a pergunta foi essa: ‘Você lembrou do Sena na chuva?'”, comentou.
Para Flavio Gomes, essa abordagem não apenas desvaloriza outros grandes nomes do automobilismo brasileiro, mas também pode cansar o público que busca uma cobertura mais completa e contextualizada. Ele defende que, embora Senna seja uma figura incontornável e trágica na história da F1, a narrativa não pode se resumir a ele, especialmente em eventos que não possuem uma conexão direta com sua trajetória.
Pilotos Brasileiros com Vitórias na F1
O ‘Pé na Jaca’ da Globo e a Audiência em Jogo
A decisão da Rede Globo de retomar as transmissões da Fórmula 1 gerou reações diversas, especialmente entre os fãs mais recentes da categoria, que se acostumaram com a cobertura da Band nos últimos anos. Flavio Gomes, no entanto, defende a volta para a emissora carioca, argumentando que ela é mais benéfica para a F1 em termos de audiência e alcance.
“Eu defendi sempre a volta para a Globo, entre outros motivos, porque para a audiência é muito melhor, para a Fórmula 1 é muito melhor”, afirmou Gomes. Ele ressalta que a emissora tem o potencial de atingir picos de audiência significativamente maiores do que a Band conseguiu em seus anos de transmissão. “Você tem corridas que vão ter 10, 12 pontos de audiência. A maior audiência da Bandeirantes em 5 anos foi um GP do Brasil que deu seis pontos”, comparou.
No entanto, o jornalista não deixa de criticar o início da nova era da Globo na F1, que ele descreve como “péssimamente” começando. A “obsessão” por Senna é apenas um dos pontos levantados. Ele também menciona a polêmica em torno do regulamento atual da categoria, que já causou acidentes sérios, como o de Oliver Bearman em Suzuka, e que, segundo ele, precisa de atenção urgente da FIA. “Espero que durante este mês que a Fórmula 1 vai ter de pausa agora em abril sem corridas, os caras pensem direitinho no que tá acontecendo”, pediu.
Apesar das críticas à linha editorial e à gestão do regulamento, Flavio Gomes mantém a esperança de que a Globo ajuste sua abordagem. Ele reconhece a importância histórica de Senna, mas insiste na necessidade de celebrar e relembrar todos os brasileiros que fizeram história no automobilismo. “A Rede Globo passar a respeitar a história que os brasileiros todos têm na Fórmula 1, que não se restringe, que não se resume a história do Aírton Senna”, concluiu, convidando o público a refletir sobre a diversidade de narrativas no esporte.
O Contexto da Mudança
A Rede Globo transmitiu a Fórmula 1 por décadas, até 2020. Após um período na Band (2021-2025), a emissora carioca retomou os direitos de transmissão, gerando debates sobre a abordagem e o público.
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